Family Food

Produto
Aplicativo mobile
Papel
UX/UI Designer
Time
UX
Duração
6 meses
Family Food

Contexto

O Family Food é um restaurante familiar fictício, desenvolvido como parte de um projeto prático de UX Design. O desafio simulava um cenário comum: pequenos negócios que operam de forma presencial e precisam estruturar sua presença digital própria, reduzindo a dependência de marketplaces e fortalecendo o relacionamento direto com clientes.

O objetivo era criar um aplicativo de delivery alinhado à identidade do restaurante, que é próxima, acolhedora e confiável, sem abrir mão das expectativas já estabelecidas por grandes plataformas.

Problema

O desafio consistia em equilibrar duas frentes:

  • Usabilidade para usuários com baixa familiaridade digital, que demandam clareza e simplicidade
  • Eficiência para usuários habituados a apps de delivery, que valorizam agilidade e conveniência

Além disso, havia um objetivo de negócio: expandir o público, incluindo consumidores mais jovens, com a introdução de novos itens no cardápio.

A questão central passou a ser: como desenhar uma experiência única que atenda diferentes níveis de maturidade digital sem comprometer a simplicidade ou a eficiência?

Processo

Discovery: entendimento de contexto e comportamento

Iniciei com pesquisa secundária para mapear os principais fatores que influenciam o uso de apps de delivery. Os principais drivers identificados foram:

  • Tempo de entrega
  • Segurança no pagamento
  • Preço
  • Confiança na qualidade

Na sequência, conduzi entrevistas com 6 participantes, com foco em:

  • motivações de uso
  • comportamento durante o pedido
  • frustrações com soluções atuais

Principais achados:

  • O delivery está associado a momentos de conveniência e socialização
  • Há frustração recorrente com erros de pedido e atrasos
  • Interfaces complexas geram insegurança, especialmente para usuários menos experientes

Síntese: direcionadores de design

A análise levou a quatro princípios que guiaram o projeto:

  • Progressividade na navegação → reduzir sobrecarga cognitiva
  • Feedback contínuo → diminuir ansiedade sobre o status do pedido
  • Fidelização → incentivar recorrência além de preço
  • Transparência na entrega → alinhar expectativa e experiência

Para sustentar as decisões, desenvolvi duas personas complementares:

  • Elis: menor familiaridade digital, foco em clareza
  • Gab: usuário frequente, orientado por rapidez

Esses perfis ajudaram a manter o equilíbrio entre acessibilidade e eficiência ao longo do projeto.

Benchmarking: definição de posicionamento

A análise comparativa incluiu plataformas como iFood e Rappi, além de apps próprios de restaurantes.

Principais aprendizados:

  • Marketplaces priorizam variedade, mas aumentam complexidade
  • Apps próprios oferecem maior controle e consistência

Isso orientou a decisão de seguir com uma experiência mais direta, com menor carga cognitiva, evitando padrões de marketplace.

Ideação e arquitetura

Estruturei o fluxo considerando dois momentos principais:

  • autenticação
  • navegação, pedido e acompanhamento

A partir disso, explorei soluções em wireframes de baixa fidelidade.

Decisões-chave:

  • inclusão de busca direta (para usuários objetivos)
  • seção de itens recorrentes (redução de esforço)
  • sistema de pontos (estratégia de retenção)
Fluxo do usuário — Family Food
Fluxo do usuário: caminhos de autenticação e pós-autenticação.

Validação: protótipo lo-fi

Realizei testes de usabilidade com tarefas representativas do fluxo completo.

Principais problemas identificados:

  • baixa reconhecibilidade do ícone de cardápio
  • ambiguidade na seção de itens recorrentes
  • ausência de filtros esperados (ex: frete grátis)
  • dificuldades de interação por questões de layout

Esses pontos foram ajustados antes da evolução visual.

Telas do protótipo lo-fi do Family Food
Telas do protótipo lo-fi: fluxo completo de navegação, desde a home até o acompanhamento do pedido.

Design visual

A construção da interface considerou:

  • alinhamento com a proposta acolhedora da marca
  • equilíbrio entre familiaridade e apelo jovem
  • critérios de acessibilidade

Validação: protótipo hi-fi

Uma nova rodada de testes revelou ajustes mais refinados, principalmente relacionados a:

  • clareza de nomenclatura
  • indicadores visuais de interação (affordance)

Exemplos:

  • itens recorrentes não eram reconhecidos pelo nome
  • ausência de indicação de scroll prejudicava descoberta
  • termos pouco claros geravam dúvida em funcionalidades

As melhorias focaram em tornar a interface mais autoexplicativa.

Resultados

Por se tratar de um projeto conceitual, não há métricas de uso em produção. Ainda assim, os testes qualitativos indicaram:

  • boa compreensão da navegação
  • fluidez no fluxo de pedido
  • percepção de simplicidade mesmo por usuários iniciantes

Além disso, a evolução entre as rodadas de teste demonstrou ganho de clareza, especialmente na comunicação e nos elementos interativos.

Aprendizados

O principal aprendizado foi a diferença entre seguir um processo e tomar decisões fundamentadas.

Um exemplo marcante foi a persistência do problema na seção de itens recorrentes: a primeira solução focou em layout, enquanto o problema real era de comunicação.

Esse erro reforçou a importância de:

  • investigar a causa antes de iterar
  • validar hipóteses com precisão
  • tratar conteúdo como parte central da experiência, não apenas complemento