Family Food
Contexto
O Family Food é um restaurante familiar fictício, desenvolvido como parte de um projeto prático de UX Design. O desafio simulava um cenário comum: pequenos negócios que operam de forma presencial e precisam estruturar sua presença digital própria, reduzindo a dependência de marketplaces e fortalecendo o relacionamento direto com clientes.
O objetivo era criar um aplicativo de delivery alinhado à identidade do restaurante, que é próxima, acolhedora e confiável, sem abrir mão das expectativas já estabelecidas por grandes plataformas.
Problema
O desafio consistia em equilibrar duas frentes:
- Usabilidade para usuários com baixa familiaridade digital, que demandam clareza e simplicidade
- Eficiência para usuários habituados a apps de delivery, que valorizam agilidade e conveniência
Além disso, havia um objetivo de negócio: expandir o público, incluindo consumidores mais jovens, com a introdução de novos itens no cardápio.
A questão central passou a ser: como desenhar uma experiência única que atenda diferentes níveis de maturidade digital sem comprometer a simplicidade ou a eficiência?
Processo
Discovery: entendimento de contexto e comportamento
Iniciei com pesquisa secundária para mapear os principais fatores que influenciam o uso de apps de delivery. Os principais drivers identificados foram:
- Tempo de entrega
- Segurança no pagamento
- Preço
- Confiança na qualidade
Na sequência, conduzi entrevistas com 6 participantes, com foco em:
- motivações de uso
- comportamento durante o pedido
- frustrações com soluções atuais
Principais achados:
- O delivery está associado a momentos de conveniência e socialização
- Há frustração recorrente com erros de pedido e atrasos
- Interfaces complexas geram insegurança, especialmente para usuários menos experientes
Síntese: direcionadores de design
A análise levou a quatro princípios que guiaram o projeto:
- Progressividade na navegação → reduzir sobrecarga cognitiva
- Feedback contínuo → diminuir ansiedade sobre o status do pedido
- Fidelização → incentivar recorrência além de preço
- Transparência na entrega → alinhar expectativa e experiência
Para sustentar as decisões, desenvolvi duas personas complementares:
- Elis: menor familiaridade digital, foco em clareza
- Gab: usuário frequente, orientado por rapidez
Esses perfis ajudaram a manter o equilíbrio entre acessibilidade e eficiência ao longo do projeto.
Persona
Benchmarking: definição de posicionamento
A análise comparativa incluiu plataformas como iFood e Rappi, além de apps próprios de restaurantes.
Principais aprendizados:
- Marketplaces priorizam variedade, mas aumentam complexidade
- Apps próprios oferecem maior controle e consistência
Isso orientou a decisão de seguir com uma experiência mais direta, com menor carga cognitiva, evitando padrões de marketplace.
Ideação e arquitetura
Estruturei o fluxo considerando dois momentos principais:
- autenticação
- navegação, pedido e acompanhamento
A partir disso, explorei soluções em wireframes de baixa fidelidade.
Decisões-chave:
- inclusão de busca direta (para usuários objetivos)
- seção de itens recorrentes (redução de esforço)
- sistema de pontos (estratégia de retenção)
Validação: protótipo lo-fi
Realizei testes de usabilidade com tarefas representativas do fluxo completo.
Principais problemas identificados:
- baixa reconhecibilidade do ícone de cardápio
- ambiguidade na seção de itens recorrentes
- ausência de filtros esperados (ex: frete grátis)
- dificuldades de interação por questões de layout
Esses pontos foram ajustados antes da evolução visual.
Design visual
A construção da interface considerou:
- alinhamento com a proposta acolhedora da marca
- equilíbrio entre familiaridade e apelo jovem
- critérios de acessibilidade
Validação: protótipo hi-fi
Uma nova rodada de testes revelou ajustes mais refinados, principalmente relacionados a:
- clareza de nomenclatura
- indicadores visuais de interação (affordance)
Exemplos:
- itens recorrentes não eram reconhecidos pelo nome
- ausência de indicação de scroll prejudicava descoberta
- termos pouco claros geravam dúvida em funcionalidades
As melhorias focaram em tornar a interface mais autoexplicativa.
Resultados
Por se tratar de um projeto conceitual, não há métricas de uso em produção. Ainda assim, os testes qualitativos indicaram:
- boa compreensão da navegação
- fluidez no fluxo de pedido
- percepção de simplicidade mesmo por usuários iniciantes
Além disso, a evolução entre as rodadas de teste demonstrou ganho de clareza, especialmente na comunicação e nos elementos interativos.
Aprendizados
O principal aprendizado foi a diferença entre seguir um processo e tomar decisões fundamentadas.
Um exemplo marcante foi a persistência do problema na seção de itens recorrentes: a primeira solução focou em layout, enquanto o problema real era de comunicação.
Esse erro reforçou a importância de:
- investigar a causa antes de iterar
- validar hipóteses com precisão
- tratar conteúdo como parte central da experiência, não apenas complemento
Camila Moreira